terça-feira, 13 de setembro de 2011

Vestígios do Tempo - A dor

A vida é tão maravilhosa o quanto é dolorosa as vezes. Em um momento você tem tudo. Em outro, tudo o que você tem são porquês incessantes e lembranças. Palavas esquecidas de um livro empoeirado na estante do passado, planos que nunca sairam do papel. Sonhos esmigalhados pelas mesmas mãos que ajudaram a construi-los. Você se pergunta e espera que o silêncio te responda, em vão. Então você deseja poder voltar no tempo. Para não começar o que acabou, ou até mesmo para tentar fazer com que não acabe novamente. Mas ninguém pode viver duas vezes a mesma história, nem tentar mudar o passado.
E aquelas lembranças, de dia ensolarados e felizes viram apenas uma história na sua cabeça, como um filme que você assistiu há muito tempo atrás, que vai a cada dia mais trazendo saudade na sua memória. E chega um momento, que a dor já se tornou tão comum que você lembra do filme e pensa: "realmente não aconteceu comigo".
Então você tenta fabricar novas lembranças, a fim de fazer com que as novas sufoquem as antigas.  Você vê seu jardim, outrora colorido e vivo, agora apenas um amontoado de folhas secas. Você tenta em vão plantar novas flores por cima, pois mesmo que sejam folhas secas e flores mortas, é o seu jardim, por muito tempo você perdeu minutos incontáveis o admirando, se alegrando. Embora agora não esteja mais florido nem bonito, ainda é seu jardim. E você planta outras flores em seu lugar, mas não há espaço para elas, e elas morrem sufocadas antes de nascer. Com tristeza você tenta arrancar os ultimos galhos, as ultimas ramas, tenta tirar todas as folhas secas. Mas você se lembra da beleza de outrora, de quando sua satisfação era olhar e se orgulhar em dizer :"Esse é meu jardim. É o mais lindo do mundo.". E simplesmente te faltam forças. Você prefere deixar seu jardim morto no mesmo lugar, a fim de que seu passado bonito não desapareça.
Mas embora seja o mesmo jardim, não é a mesma alegria. De alguma forma, ele foi destruido. Você não entende como algo tão lindo pode ser alvo de tamanha crueldade. Como algo tão lindo pode causar tantos danos, tanta dor. Você não entende porque alguém não amaria tal beleza, a ponto de destrui-la.
E então você se perde sozinho nos seus porquês. Você deixa o livro empoeirado na estante, o filme esquecido dentro de gavetas. Você vê seus planos em pedacinhos de papel, destruidos. E então você decide: "Vou viver um dia de cada vez." Só que isso não impede que as lembranças venham à tona.

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