segunda-feira, 24 de maio de 2010

Algumas Palavras


Eu nunca sei o que vou escrever até começar. Uma tempestade de palavras passam como um filme na minha cabeça, começam a ser transmitidas por mim como cada passo errante de uma criança, sem saber o destino, se cairão ou permanecerão. Palavras desconhecidas. Podem ser um incêndio numa floresta ou a chama de uma única vela tendo que sobreviver ao vento. Ou o próprio vento lutando contra a chama nas árvores, sentindo-se incapaz de aplacar sua fúria. Podem ser certas como a luz do dia, ou incertas como quando a tempestade vai acabar. Podem dizer o que eu sinto da minha maneira, ou da maneira delas. Minhas palavras são um mistério que talvez não seja desvendado nem depois de jogadas para fora. Elas têm vida própria. Elas são as paredes de um labirinto que eu não sei aonde termina. Elas são minhas palavras mas não pertencem a mim. Pertencem a si próprias. Elas jamais permitem que eu me cale. Mas também não permitem que eu diga exatamente o que quero. Elas são a minha vida, a minha história. Também serão meu ponto final. Às vezes elas vêm como uma tempestade na minha cabeça. Outras vezes se calam e desaparecem. Elas sempre voltam e nunca voltam. Elas estão sempre aqui. Elas gritam. Elas se calam. Elas sabem o que quero, mas só dizem o que querem. Eu as controlo, mas elas controlam meus pensamentos. Elas confundem e explicam. Elas brincam e choram. Elas perdoam. Elas são fáceis e complexas. Elas me resumem. Elas são a voz e o silêncio. Elas confundem. Elas dizem a verdade. Elas são confusas. Elas me definem.

Um comentário:

  1. Depois de um dia cansativo nada melhor que ler um bom texto, que de inútil não tem nada.

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